Minha alma está inquieta, em completo desalinho com o que planejei para o ano novo (mas quem disse que todos os planos têm que dar certo?). Dezembro também não foi fácil: minhas gavetas estavam cheias de coisas que eu não precisava mais, as prateleiras acumularam o pó dos dias e o chão, em alguns instantes, me faltou sob os pés. Estive longe do blog durante mais tempo do que deveria, não fui justa com os amigos que vêm aqui buscar um tiquinho de mim e que reclamaram da longa ausência. Mas os dias estão estranhos, me falta um calorzinho na alma e eu nem sei onde guardei aquele sorriso-pronto-pra-tudo que estava sempre à mão... ou à boca. Seguindo o conselho de um amigo, não vou mesmo querê-lo de volta, definitivamente. Ano novo, sorrisos novos!
E foi um sorriso que me trouxe de volta hoje, quando recebi de presente do Tertuliano um lindo template, novinho em folha, para o blog. Se ainda vem alguém aqui, espero que tenha gostado tanto quanto eu! Meu amigo nem desconfia, mas captou exatamente o espírito da coisa: a menina continua em busca do equilíbrio, mas não tem medo de cair de novo. Ela já sabe levantar sozinha, seja lá qual for o tamanho da queda...
Thanks, Tertu!
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
sábado, 28 de novembro de 2009
Para Gustavo.
Tinha quase certeza que o travesseiro do menino era uma caixinha de música: embalava-lhe os sonhos e a madrugada, fazendo com que dormisse tranqüilo e sonhasse com coisas do mundo todo, com os caminhos que percorrera até ali. E como era bonito o menino! As covinhas no rosto dele tinham o mágico dom de iluminar os corredores e o sorriso que ela sempre devolvia, com vontade de enrolar nos dedos os caracóis dos cabelos em desalinho. Às vezes desejava colocá-lo no colo. Às vezes queria-lhe um aperto de mão. Queria ficar por perto, porque às vezes o menino não parecia feliz. No cantinho do olhar dele havia uma pergunta sem resposta, um suspiro deixado em algum lugar, talvez uma dor.
De repente a madrugada levou o menino. Ela emudeceu de tristeza. E ele dormiu em silêncio, sem ouvir no travesseiro a música que ela dera de presente...
De repente a madrugada levou o menino. Ela emudeceu de tristeza. E ele dormiu em silêncio, sem ouvir no travesseiro a música que ela dera de presente...
Música: If you knew (Nina Simone)
terça-feira, 27 de outubro de 2009
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
Para embalar o final de semana de quem pensa igual a mim.
Românticos
(Vander Lee)
Românticos são poucos
Românticos são loucos desvairados
Que querem ser o outro
Que pensam que o outro é o paraíso
Românticos são lindos
Românticos são limpos e pirados
Que choram com baladas
Que amam sem vergonha e sem juízo
São tipos populares que vivem pelos bares
E mesmo certos vão pedir perdão
E passam a noite em claro
Conhecem o gosto raro
De amar sem medo de outra desilusão
Romântico é uma espécie em extinção
(Talvez eu seja um passarinho em extinção, afinal...)
Românticos
(Vander Lee)
Românticos são poucos
Românticos são loucos desvairados
Que querem ser o outro
Que pensam que o outro é o paraíso
Românticos são lindos
Românticos são limpos e pirados
Que choram com baladas
Que amam sem vergonha e sem juízo
São tipos populares que vivem pelos bares
E mesmo certos vão pedir perdão
E passam a noite em claro
Conhecem o gosto raro
De amar sem medo de outra desilusão
Romântico é uma espécie em extinção
(Talvez eu seja um passarinho em extinção, afinal...)
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
"Quero a palavra que sirva na boca dos passarinhos..." - Manoel de Barros
Deixou a gaiola aberta um instantinho só, e isso bastou para que ele entrasse e enchesse seu canto de luz. E ela - passarinho - fez bico e sorriso e banhou-se na paz que ele trazia.Desejou ser passarinho pro resto da vida, se isso significasse a leveza que sentia agora.
Desejou voar, mesmo com os pés grudados no chão.
Desejou que aquelas mãos lhe acariciassem a alma desde sempre...
Desejou que não tardasse a voltar.
terça-feira, 15 de setembro de 2009
He's like the wind
Para Antonio
Faço parte de uma geração cujos ídolos da adolescência eram os jovens atores Michael J. Fox (De Volta para o Futuro), Ralph Macchio (Karatê Kid), Tom Cruise (Ases Indomáveis), Mathew Broderick (Curtindo a Vida Adoidado) e outros tantos que eu poderia citar, não sem causar saudades em muita gente que também viveu essa época. As mesmas pessoas que ontem acompanharam com pesar a notícia da morte, aos 57 anos, do ator Patrick Swayze, que eu adorava e cujos filmes marcaram uma fase muito bacana da minha vida.
A notícia me trouxe de volta uma das lembranças mais queridas que eu tenho. Porque é de Patrick Swayze a voz que canta a doce "She´s like the wind", que eu ouço e fecho os olhos e viajo no tempo, lembrando de um papel amarelado, com a tradução da música escrita à mão há vinte anos atrás, com um comentário no final que dizia mais ou menos assim: "coloque-se no lugar dela... é assim que eu me sinto em relação a você".
E quando essa música toca no meu celular, eu abro meu melhor sorriso porque sei que o autor do bilhete está do outro lado da linha. E que, pelo menos por um instante, continua a fazer parte da minha vida.
A mulher que era como o vento mudou. O autor do bilhete também. E hoje a música soa diferente, dizendo coisas que não ela não precisa mais entender...
"Just a fool to believe
I have anything he needs
He's like the wind..."
Faço parte de uma geração cujos ídolos da adolescência eram os jovens atores Michael J. Fox (De Volta para o Futuro), Ralph Macchio (Karatê Kid), Tom Cruise (Ases Indomáveis), Mathew Broderick (Curtindo a Vida Adoidado) e outros tantos que eu poderia citar, não sem causar saudades em muita gente que também viveu essa época. As mesmas pessoas que ontem acompanharam com pesar a notícia da morte, aos 57 anos, do ator Patrick Swayze, que eu adorava e cujos filmes marcaram uma fase muito bacana da minha vida.
A notícia me trouxe de volta uma das lembranças mais queridas que eu tenho. Porque é de Patrick Swayze a voz que canta a doce "She´s like the wind", que eu ouço e fecho os olhos e viajo no tempo, lembrando de um papel amarelado, com a tradução da música escrita à mão há vinte anos atrás, com um comentário no final que dizia mais ou menos assim: "coloque-se no lugar dela... é assim que eu me sinto em relação a você".
E quando essa música toca no meu celular, eu abro meu melhor sorriso porque sei que o autor do bilhete está do outro lado da linha. E que, pelo menos por um instante, continua a fazer parte da minha vida.
A mulher que era como o vento mudou. O autor do bilhete também. E hoje a música soa diferente, dizendo coisas que não ela não precisa mais entender...
"Just a fool to believe
I have anything he needs
He's like the wind..."
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Sacudiu a poeira do vestido e jogou displicentemente a cabeça para trás, num sorriso largo. Caíra do balanço que não lhe cabia mais. Os dedos dos pés doíam dentro dos sapatos agora apertados, que ela tirou, num gesto de liberdade.Será que somente ela não percebera que o céu estava cor-de-laranja?Será que o tempo passara rápido demais e somente ela não viu?Demorou a sentir o calor na alma, como se houvesse um sol todinho seu. Demorou a enxergar as coisas ao seu redor, inacreditavelmente bem dispostas. Demorou a entender que o balanço e os sapatos e o céu alaranjado eram o seu constante aprendizado.E quando finalmente abriu os olhos, lá estava: a vida lhe sorria encostada no muro, flores na mão, chamando-a para brincar... A menina crescera, finalmente.
segunda-feira, 13 de julho de 2009
Vejo flores por todos os cantos. Mas hoje eu as encontrei nas palavras do meu amigo Moisés Chaves... obrigada pelo presente!
Inventa Rosa
Outrora outono o tom da rosa
agora o trono da bela rosa
delicirosa
o rosa ventre da alma rósea
ei não fique rósea, pois és blue carmim
encanta rosa
Pra falar com a rosa
tiro o Cartola e escuto o Rosa
musica de pétala caindo bem devagar
como Jivago vê os girassóis
faço o tema da nossa rosa
Sem dilema, com poema
invento mais uma canção
que será levada ao vento
que venta no rosto da rubra rosa
Moisés Chaves
Para Rosa Magalhães
Manhã de segunda-feira, 13 de julho de 2009
Inventa Rosa
Outrora outono o tom da rosa
agora o trono da bela rosa
delicirosa
o rosa ventre da alma rósea
ei não fique rósea, pois és blue carmim
encanta rosa
Pra falar com a rosa
tiro o Cartola e escuto o Rosa
musica de pétala caindo bem devagar
como Jivago vê os girassóis
faço o tema da nossa rosa
Sem dilema, com poema
invento mais uma canção
que será levada ao vento
que venta no rosto da rubra rosa
Moisés Chaves
Para Rosa Magalhães
Manhã de segunda-feira, 13 de julho de 2009
sábado, 4 de julho de 2009

Havia um abismo quase intransponível entre a sua crença e a solidez das palavras dele. Nem por um instante ela acreditava no homem por trás da máscara, cheio de convicções que não convenciam nem a si mesmo. Enxergava-lhe nitidamente a verdadeira face sob a imagem que ele tentava em vão construir... e que desmoronava a cada vez que olhava furtivamente na direção dela. Encontrara uma brecha no olhar sério dele, e seria por ali que colocaria doses sutis de uma nova visão do mundo, se pudesse. Seria por aquela pequena fresta que ele enxergaria a vida de verdade: pulsante, louca, cheia de imprevistos. Precisava curá-lo dessa miopia, precisava sacudi-lo até que saísse da inércia insuportável e se permitisse viver, nem que isso lhe custasse a própria sanidade (se ele deixasse, é claro). Mas no fundo do coração, sabia que era uma tarefa quase impossível, porque ele se acostumara a ser pedra.
Então seus pés estancaram à beira do abismo e ela fechou os olhos, sentiu o vento da ausência dele no rosto e atirou-se em queda livre, desejando-lhe os braços ao redor antes que caísse, irremediavelmente, no chão de si mesma.
(Para que meu bom amigo "A" reaprenda a viver...)
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