domingo, 6 de março de 2011

De volta

Por mais que desejasse, ainda não havia chegado o momento de voltar e desnudar a alma, como de costume. Sempre havia alguma coisa a ser dita e aquelas coisas boas que adoraria compartilhar, mas acreditava na sabedoria contida no silêncio e foi baseando-se nisso que aquietou-se e fez da ausência uma terapia. Subiu no muro imaginário e lá de cima viu os dias desfilarem à sua frente, generosos e cheios de novidade. Em silêncio quase absoluto, absorveu o que havia de mais importante, renovou antigas idéias, deletou o que não interessava mais e só então arriscou colocar os pés novamente no chão. Lá estavam o sorrisinho no canto da boca e a velha ansiedade que lhe eram peculiares. Voltaria aos poucos, deixando a alma contar o que vira. E tentaria entender porque, de todas as lições recebidas, apenas uma não conseguia aprender: o difícil exercício da paciência.

Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma
A vida não pára

Enquanto o tempo acelera e pede pressa
Eu me recuso, faço hora, vou na valsa
A vida é tão rara

Enquanto todo mundo espera a cura do mal
E a loucura finge que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência

O mundo vai girando cada vez mais veloz
A gente espera do mundo e o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência

Será que é tempo que lhe falta para perceber?
Será que temos esse tempo para perder?
E quem quer saber? A vida é tão rara
Tão rara...

(Paciência - Lenine)

3 comentários:

Anônimo disse...

Esse texto vc fez p eu mandar pra alguém? perfeito! meu silêncio fala disso !Fran Carvalho

Rosinha disse...

Eu e Caio pensamos da mesma forma... e diz:


"A vida é agora, aprende. "porque já não temos mais idade para, dramaticamente, usarmos palavras grandiloqüentes como "sempre" ou "nunca". Ninguém sabe como, mas aos poucos fomos aprendendo sobre a continuidade da vida, das pessoas e das coisas. Já não tentamos o suicidio nem cometemos gestos tresloucados. Alguns, sim - nós, não. Contidamente, continuamos. E substituimos expressões fatais como "não resistirei" por outras mais mansas, como "sei que vai passar". Esse o nosso jeito de continuar, o mais eficiente e também o mais cômodo, porque não implica em decisões, apenas em paciência."

xero de rosa pra tu.

Fàbia Adriana Vieira disse...

vc tentanto ter calma... eu harmonia. fiz ate uma tattu pra ver se não esqueço...kkk
mas adivinha... comigo num deu!
sou pilhada mesmo e quero tudo pra hje.
eita nóis!
bom vc de volta!