domingo, 29 de maio de 2011

Marresus

Mais um capítulo se encerrou na família Magalhães / Sales: a tia Maria de Jesus se foi aos 92 anos muito bem vividos. Trabalhou até o último sopro de vida, fazendo jus ao sangue forte e à longevidade da família. Partiu entre amigos, socorrida na agonia pelas mãos que faziam-lhe o cafezinho diário, alimento da alma doce tão bem disfarçada no jeito ranzinza que lhe era tão peculiar. Contrária a fotografias e a sorrisos gratuitos, sabia agradar do jeito dela.
Nunca tive a oportunidade de dizer-lhe que, quando pequena, minha boneca preferida tinha sido a "Emília" de pano que ela mesma fizera, para mim e para minhas irmãs. Nunca falei que em qualquer lugar do mundo, o cheiro de eucalipto (borrifado por todos os cantos) sempre foi o cheiro da casa dela. Também não disse que aquela casa, sempre cheia de badulaques, era linda e despertava em mim as melhores lembranças de uma infância feliz.
Hoje, meu pensamento viajou e eu me vi tomando sorvete de ameixa no Pavilhão do Chá, ouvi o sorriso gostoso da tia Madá esparramada na rede, dei novamente as mãos ao vovô Bispo e ele me levou ao "fiteiro" pra comprar bombom. Me deu uma saudade tão doída que palavra nenhuma conseguiria definir.

Hoje o céu da minha terra ganhou cores especiais, compondo um quadro de fazer inveja a qualquer festa junina, como que pintado pelas mãos da talentosa Rosa Maria. E é nesse céu de mãos dadas, que o vovô Bispo, Cotinha, Madalena e "Marresus" entoam a ciranda que tantas vezes eu ouvi na infância...

“Achei bom bonito
Meu amor cantar
Ciranda faceira
Vem cá cirandeira
Vem cá cirandar...”

Em meu nome e dos meus pais Hinton e Djalcyna; dos meus irmãos Tânia, Socorro, Hintinho, Sílvia e Eugênia: nosso lamento e nosso amor para sempre.

Rosa Magalhães

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